Pequena Londres

08 Outubro 2006

RAIOS E TROVÕES ! ! !


"Vários raios cortaram o céu de Londrina na sexta-feira à noite, anunciando um final de semana chuvoso que veio para lavar as almas e as algas de quem anda sofrendo com a estiagem. Depois de meses é muito bom sentir novamente o cheirinho da chuva mesmo que este venha com 0,000000002587 miligramas de DDT e BHC. Eita nariz bom." JL 26/09/2006
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É nóis de novo no Jornal. Esta foto e este texto saíram no Tablóide Sensacional dia 26 de setembro. Saiu um pouco atrasada porque eu pedi para publicarem colorido. E eles gentilmente atenderam. Como não tenho equipamento profissional de fotografia fiquei duas horas sentado em frente à janela do apartamento e fiz umas 26 fotos para conseguir capturar o raio em uma delas apenas.
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A referência aos 0,000000002587 miligramas eu explico: Na semana anterior o Rio Tibagi estava com algas devido a alguma fonte de poluição desconhecida e também devido a grande estiagem. A Empresa Pública de Águas (EPA) teve que fazer alguns procedimentos de emergência e chegou a faltar água por dois dias. Mas nada comparado ao racionamento enfrentado na região de Curitiba. As algas passaram e a água voltou a sair das torneiras com sua qualidade habitual. Nem mais nem menos.
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Acontece que uma Doutora em Meio Ambiente aqui da Pequena Londres fez uma declaração neste mesmo Tablóide Sensacional dizendo que na torneira da casa dela a água tinha cheiro de veneno (DDT e BHC). Aí foi demais para o editor deste Blog. Não arresisti e taquei a foto no jornal cutucando o nariz dela. Ops, quis dizer cutucando a sensibilidade do nariz dela.
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PP1 – Ouvindo: Zé Ramalho - Cidadão
PP2 – Lendo: Ensaio sobre a cegueira – José Saramago
PP3 – Sector Clear: Lego Star Wars (só para Nerds)
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17 Setembro 2006

OBSCENIDADES CIENTÍFICAS


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..........A pedidos... É impressionante como a luz da ciência causa fascínio nas pessoas a ponto de cegá-las. Mais impressionante ainda é a maneira como cada um entende e tenta explicar os fenômenos naturais observados. Faz alguns anos que venho ouvindo e anotando algumas destas obscenidades científicas ditas e até realizadas por algumas pessoas bem na minha frente. Algumas valem uma boa gargalhada e quem sabe um dia isto não vira um livro só para iniciados, ou só para mestres. Lá vai.
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1 – Cálsio da geladeira – Eu já tinha percebido que a geladeira do laboratório estava manca de uma perna e precisava de um calço. Alguém chegou antes e embrulhou um tijolo em papel colocando no lugar adequado para a geladeira não balançar. Mas esta pessoa achou melhor identificar o negócio para algum desavisado não jogar o tijolo fora. Daí batizou: “CÁLSIO DA GELADEIRA” e depois se arrependeu riscando a palavra cálsio. Será que a pessoa percebeu a tempo que Cálsio é na verdade o nome de um elemento químico? He He.
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2 – Televisão por assinatura - Tava assistindo meu programa favorito na TV. Bem no meio do ebisódio a tela fica toda escura com uma pequena mensagem no cantinho: “NO SIGNAL”. Caramba, como assim sem sinal? Zapeando descobri outros canais fora do ar e quando já ia mexer no cabo o sinal voltou. Perdi o programa mastudobemacontece. No outro dia exatamente na mesma hora e no mesmo minuto acontece a mesma coisa. No Signal sabor hortelã. Sacanagem. Perdi meu programa preferido novamente. E exatamente no mesmo minuto de ontem. Tem alguma coisa errada. Liguei no zérooitocentos da empresa e a Telemarquetin atendeu:
- Empresa de Televisão Paga, Juliana, Boa Tarde. Em que posso estar lhe ajudando?
- Oi Juliana. Eu estava assistindo a TV e vários canais sairam do ar hoje no mesmo horário em que aconteceu isso ontem. Vocês estão fazendo alguma manutenção ou algo assim?
- Sabe o que é Senhor? Nos próximos dez dias, neste mesmo horário e somente por uns quinze minutinhos, o Sistema Solar vai estar passando...
- Como assim?
- Sabe, não é culpa da empresa. O Sistema Solar vai estar passando e vai estar interferindo no sinal do satélite. Nós não poderemos estar fazendo nada, Senhor... Mas são só por dez dias apenas.
- Ah bom. Então tá. Muito obrigado hein.
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PP1 – Ouvindo: Die Toten Hosen – Zehn Kleine Jagermeister
PP2 – Sector Clear: Need for Speed Underground 2

16 Agosto 2006

CAMISETA DO AVESSO

Uma das camisetas do avesso usadas até furar. Foto: J. L. Litvay
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Já que o Blog travou de tantos acessos que teve, me reservo o direito de colocar uma estória pessoal da época da Faculdade. O texto abaixo é da Lua (Lú A.), correspondente especial do Pequena Londres enviada para o espaço. Ela tem um Blog com textos ácidos (pH = 0,2875926) e divertidos. Dá uma conferida depois em http://luaepoeta.zip.net/
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Início das Aspas“
O Alex nunca foi um cara falastrão, mas sempre foi um cara de opinião. Quietinho, lourinho, alternativo, reservado e bom aluno. Só conheciam o Alex poucos e bons. Digo isto porque só conheci o Alex (e fiz parte do seleto grupo) por causa de uma das muitas excentricidades dele... usar camisetas pelo avesso. Não é de trás para frente não, é do avesso mesmo.
Nossa amizade se limitava a “Oi Alex, oi Lu“ e papos banais. Até o dia em que na faculdade cruzei com ele usando uma camista Hering azul clara com as costuras para fora. Não falei nada. Afinal cada um sabe de si. Mas aquele fato ficou na minha mente por dias. E sempre que topava com o Alex olha só ele de mochila de acampamento, namoradinha a tiracolo e a camiseta do avesso de novo. Haha, camisetas Hering, lisas e das mais diversas cores. Passei a prestar atenção nele, nos seus amigos, nos seus hábitos. Comecei a conhecer o Alex, sem mesmo conversar muito com ele.
Bom, passamos a sair juntos na mesma galera, aí um dia tomei coragem e falei... “Alex, a sua camiseta está do avesso“. Ele sorriu condescendentemente para mim e disse: “Eu sei“. Me senti fora da realidade do mundo. Uma medíocre que não entendia nada de coisa alguma.
Anos se passaram, vida vivida e numa conversa internáutica me recordei das camisetas do avesso e parei para pensar no que elas significavam na época e como eu vejo este fato com a experiência que tenho hoje. Pode ser até que o Alex não tivesse a intenção de causar tamanha reflexão filosófica em quem o olhasse, mas depois daquele sorriso e daquele “Eu sei“, duvido muito que esta não fosse a intenção. Obrigada amigo, pela generosidade de ensinar àqueles que têm olhos para ver (mesmo que demore anos para enxergar). Quanto a quem não vê, fica o veredito: cara estranho, com jeito esquisito...
“Fim das Aspas
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PP1 – Ouvindo: Led Zeppelin – Misty mountain hop

02 Agosto 2006

ESTOQUECAR VÊOITO

..........Já foi assistir alguma prova automobilística no Autódromo de Londrina? Não vá! Semana passada eu fui ver a estoquecarvêoito. Paguei 15 reais no ingresso que comprei antecipado no posto de gasolina. Cheguei uma hora antes do horário no Autódromo e fui informado que a arquibancada estava lotada e fechada. Tá, e agora o que eu faço? O guardinha da empresa de segurança contratada informou que havia lugares disponíveis em outro portão de acesso. Tudo bem, vamos lá. “Lá” ficava a vinte minutos de distância caminhando. Chegando “Lá” fui informado que não tinha lugar para sentar. Como assim? Não esperava nada melhor que uma arquibancada de cimento quente debaixo do sol, mas ficar de pé é ruim. “Não sei de nada eu só sou o vigilante”.
..........Podia piorar e piorou. Junto com mais outras quinhentas pessoas fiquei de pé numa ruazinha empoeirada que contorna o Autódromo. Uma total falta de respeito pela população da Pequena Londres. Mas tinha opção, como tudo na vida. Tinha a opção de ficar encostado no alambrado, de pé no meio da poeira ou mais atrás, sentado no meio do mato no morrinho. Paguei quinze reais por isto e tinha até segurança particular e polícia militar para garantir que eu não invadisse a pista ou a arquibancada. Esta última, fui ver depois, estava cheia de convidados ilustres dos patrocinadores do evento. Por isto encheu rápido. Será que eles pagaram o ingresso?
..........Mas a foto eu tirei e saiu mais caro para a organização do evento do que devolver meu dinheiro. Um tiozinho indignado que me viu sacando a máquina disse que estava “que nem égua no pasto”. Falei para ele ficar tranqüilo que a foto sairia no jornal. E saiu. Na página 3 do Jornal de Londrina de 28/07/2006 aparece a foto e umas linhas entre aspas onde está escrito mais ou menos este texto aí de cima. Tomô?
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PP1 – Ouvindo: SpiderBait – Black Betty (no NFSU, culpado de me desviar do blog)

16 Julho 2006

GOOGLE EARTH

Admito ter uns costumes antigos. Gosto de passear pela vizinhança sem compromisso, andar devagarzinho e cumprimentar os vizinhos que estão cuidando de seus jardins. De preferência domingo pela manhã bem cedo. Hoje está tudo moderno, tudo muito rápido. Todos têm pressa voando com seus carros a atropelar a camaradagem. Dia desses estava caminhando em um bairro de Pequena Londres observando as construções, os jardins e as árvores. Aquela moitinha aparada em forma de cogumelo que sempre me causa risos. Logo percebi que ingressei por ruas desertas onde tinham mansões de aparência bonita, fria e aparentemente desabitadas. Um espetáculo para os olhos. Arquitetura de várias partes do mundo e altíssima tecnologia para torrar qualquer ladrão que queira subir no muro para espiar lá dentro. Cercas elétricas! Ninguém passava a pé por ali. Não era caminho para nada e os moradores só circulavam em seus carros importados. Foi quando percebi a presença de um carro branco com dois seguranças me seguindo a uma distância de duzentos metros. Que situação desagradável. Desde a adolescência que o guarda do supermercado não me perseguia desta forma. E lá estava ele de novo, pois eu era uma ameaça a este bairro nobre e deserto. Olhei para as minhas roupas, passei a mão no rosto para sentir a barba por fazer e pensei um pouco... Não percebi uma aparência ameaçadora. Mas lá estava o segurança falando com a central pelo rádio.
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Também tenho costumes modernos. Através de um programa e da rede de computadores é possível ter acesso a imagens de satélite de praticamente toda a superfície do planeta. Procurei e encontrei as imagens do bairro das mansões. Dá para ver o que se esconde atrás dos muros eletrificados. Muitas piscinas, quadras de tênis, campos de golfe, churrasqueiras, etc. Foi uma vingança silenciosa. Agora posso ver o que acontece do outro lado dos muros e os seguranças nem imaginam que estou observando. Dá até para ver o carrinho branco daqui de cima. Algum tempo depois saiu no jornal. A prefeitura está multando os proprietários que não estão regulares com o IPTU. A fiscalização está sendo feita através deste programa de computador e o bairro com mais irregularidades é justamente aquele que esconde e não declara suas piscinas. Não fui eu quem denunciou, mas... Bem feito.
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Uma pena que as imagens ainda não sejam em tempo real e que o satélite não tenha um sistema para atirar bexigas cheias de tinta. Eu aguardo...
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PP1 – O link http://earth.google.com/
PP2 – Ouvindo: Wander Wildner – Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro
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03 Julho 2006

CURTAS DA COPA


As crianças é que se divertem. Primeiro jogo da seleção brasileira na copa e as crianças já estão super empolgadas. Todas vestindo a camisa do Brasil, pendurando bandeirinhas e soprando aquelas infernais cornetas. Faltam quinze minutos para o jogo começar e elas não aparecem para ouvir o hino nacional em frente à TV. Estão lá embaixo gritando feito loucas. Ainda no primeiro tempo sai um gol e elas comemoram bastante. No intervalo voltam para fazer um lanche e perguntam: “Foi gol de quem pai?” Incrédulo, o pai responde e vê as crianças saírem correndo e gritando: “É campeão! É campeão!” ainda no segundo tempo.
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Já ouviram os poeminhas futebolísticos do Tino Marcos, Pedro Miau e Marcos Hesing (é assim que escreve?) na cobertura da Copa na rede grobo? Um primor. Ficam descrevendo as partidas de futebol em forma de versinhos e com rimas pra lá de infantis:
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"Na batalha do Brasil contra o time africano
Dida esteve solitário e abandonado
Poucas vezes apareceu, leviano
Atrás da tela de hexágonos observado"
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Não tenho certeza mas me parece que na última copa os comerciais na TV eram diferentes. Quero dizer, tinham uns poucos patrocinadores da copa. Os de sempre: marcas de cerveja, marcas de tênis, bolas, chuteiras, etc e lojas que vendem aparelhos de televisão, claro. Este ano parece que está todo mundo usando a copa para fazer comerciais. Está muito igual e chato também. Os supermercados vendem tudo com desconto na “Promoção Fenômeno”. A empresa de alimentos diz que a sopa desidratada é gostosa como um gol. A farmácia vende remédios numa “Goleada de Ofertas”. Tudo é verde e amarelo. Tudo tem a foto de um jogador de futebol. Mesmo que seja aqueles da copa de 1728 na Atlântida. Não aguento mais. (E o MS-Word teimando que agüento se escreve com trema, ora poish).
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Quase comprei uma camiseta verdeamarela escrito: “Brazil – Word Champion”. Somos mesmo os campeões das palavras.
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VOLTA FELIPÃO!!!
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PP1 – Isso me dá uma fome…
PP2 – NFS Undergroud 2 na veia.
PP3 – Ouvindo: The Doors – Riders on the storm
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27 Junho 2006

TELEFONEMA SEM PENSAR

Estou trabalhando tranquilamente num daqueles dias em que preciso ficar quieto no canto. Trabalho braçal e repetitivo. Nada de inventar moda e falar mais do que o necessário. Em dia de tempestade é melhor não sair por aí erguendo tesoura para o céu.
Toca o telefone:
- Alemão?
- Oi.
- Você tem um saquinho pequeno?

Reação minha:
- Hã?
Reação de alguém que estava na mesma sala de quem perguntou:
- Quiá, quiá, quiá, quiá...
Reação de quem perguntou:
- Não... é que eu preciso... ai meu Deus vocês entenderam tudo errado... eu quero um saco de plástico pequeno e... peraí... é só para colocar umas peças... ai... parem de dar risadas...
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PP1 – Atenção para o novo link aí ao lado. O Documento Reservado (www.documentoreservado.com.br) é um site independente sobre assuntos políticos e seu editor é um dos correspondentes internacionais aqui do Pequena Londres.
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PP2 – Ouvindo: Bob Marley – Buffalo Soldier
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16 Junho 2006

O PÚDOU DA VIZINHA

Foto provisória: ainda não encontrei um púdou disposto a posar de graça.
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Parte um (awlermen).
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..........Vamos lá. Londrina também tem seus cachorros cachorros e seus donos bobinhos como qualquer outra cidade. Mas o que eu vejo na frente dos meus olhos é a minha realidade, então lá vai a história do púdou da vizinha parte um.
..........O púdou é um cachorro gay por natureza. Ele anda sempre limpinho e com fitinhas amarradas nas orelhas. Nunca vi um púdou na rua grudado em uma cadela e com aquele olhar de satisfação. Eles também caminham meio engraçados, como se estivessem segurando um peido (dá-lhe Analista de Bagé).
..........Na minha opinião cachorro não serve para viver em apartamentos ou casas pequenas sem quintal, mas em chácaras e residências com amplo espaço para o exercício das pernas do animal. Acho uma merda quando encontro uma bosta de cachorro na calçada. (meu MS Word não sabe o que é merda nem bosta, he-he). Mas tudo bem. É só desviar e pronto. Nunca fui reclamar com nenhum proprietário de púdou que deixou o produto ali estirado no chão.
..........Mas outro dia vi uma cena que mexeu comigo. Uma senhora levou seu púdou branco branquíssimo para passear e, naturalmente, defecar na calçada. Até aí estava tudo normal. Não cheguei a ver se ela recolheu o produto na sacolinha do mercado. Só vi quando ela tirou um lenço umedecido do bolso e começou a massagear o... (desculpem-me) ânus do animal com a mão direita enquanto a mão esquerda levantava o rabo do cachorro. Fiquei traumatizado. Eu não precisava testemunhar aquilo. Foram vários sentimentos aflorando ao mesmo tempo. Até hoje tenho lembranças desta cena terrível. A mulher não estava preocupada com a sujeira na calçada, somente com a bundinha sujinha do seu cachorro dentro do apartamento limpo. Parecia uma mãe cuidando de uma criança.
..........Mas tive pena mesmo é do cachorro, pois ele estava muito envergonhado naquela situação. Sua cara de espanto misturada com indignação me deu a certeza de que ele nunca mais vai defecar na presença da sua dona e seus lencinhos.
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Parte dois (Delani Correspondente do Pequena Londres em CWB)
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..........Era uma quinta-feira e ela chegava do cabeleireiro. A vizinha da frente, curitibaníssima com seu topete que num dia cumprimenta e no outro nem... pergunta:
..........- Você vai ficar em casa?
..........No que ela respondeu com um desconfiado sim.
..........- Posso te pedir um favor?
..........- Claro.
..........- Estamos com um cachorrinho, ele foi traumatizado no canil, tem medo de ficar sozinho e chora muito. Eu preciso ir ao supermercado e, se ele chorar... você poderia ir até a porta e falar com ele?
..........Impossível negar, por mais patético que venha a ser. A solidão é um bem intransferível do homem, quem não entende isto não entende nada. Minutos depois se ouve os primeiros ganidos e ela vai até a porta, se abaixa e começa uma conversa meio constrangida. O “au-au”, que não foi nomeado, responde tranqüilo e ela volta para casa.
..........A cena se repete, acompanhada pelos risos das filhas. Na terceira, ela leva um livro, senta no capacho e lê um pouco a meia voz, murmura uns agrados e como para o ridículo é imprescindível testemunhas, passa o vizinho bonitão e diz:
..........- Ha ha, tá de castigo, né?
..........Ela sorri e acena com um positivo. O cachorrinho resolve então uivar desesperado. Não há nada mais que se possa fazer. Todas as horas seguintes serão dedicadas a pensar na impossibilidade, na dolorosa impossibilidade. Apenas o desconforto a acompanha.
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PP – Ouvindo: Track 31 (parece o Elvis)
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28 Maio 2006

PROMOÇÃO DE LANCHE


..........Londrina é a cidade do lanche. Em qualquer esquina tem uma barraquinha ou uma lanchonete. As opções são muitas, os lanches são ótimos e o atendimento é caloroso. Mas não se engane, ou melhor, não tente enganar o comerciante... Fiado só na promoção.
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PP - Ouvindo: Bjork - It´s oh so quiet

18 Maio 2006

TRÂNSITO DE LONDRINA I

..........Um amigo me perguntou se em outra cidade onde já morei o trânsito não era melhor para os ciclistas devido ao fato desta cidade ter ciclovias. Minha resposta foi não. A educação do brasileiro é a mesma em todo canto. E a dificuldade de circular com bicicleta, carro, a pé, moto ou ônibus é a mesma.
..........Claro que a Pequena Londres tem suas particularidades como, por exemplo, a existência de semáforos dentro de rotatórias, semáforos que param somente a pista da esquerda (a mais rápida) e a não obrigatoriedade do uso do pisca-pisca.
..........Mas na verdade o problema é aquela pecinha atrás do volante. Outro dia precisei desviar de um carro que estacionou na contra mão, longe do meio fio e formando um ângulo de 45 graus com a calçada. Não contente o motorista saiu do carro e deixou a porta aberta no meio da rua. Hummer! Eu quero uma caminhonete Hummer para passar por cima disto tudo.
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PP1 - Em tempo: a prefeitura poderia contratar o malabarista da foto para dar cursos relâmpago (ou cursos labareda?) utilizando as tochas para lembrar os motoristas da existência do pisca pisca e ensinar qual é o da direita e qual o da esquerda. A do relógio.
PP2 – Atendendo a pedidos, explico: para quem ainda não percebeu os Posts são mais ou menos semanais.
PP3 - Ouvindo: Red Hot Chilli Peppers - Can´t Stop

01 Maio 2006

ANTÁRTICA COM O Sr GARCIA



..........Ontem tomei umas Antárticas com o Gabriel Garcia Márquez que esteve aqui em casa por algumas horas. Sujeito ocupado, mas teve tempo para me contar a história de um velho jornalista que só percebia o peso da idade quando alguém lhe falava ou quando se estranhava consigo mesmo em raros momentos diante do espelho. Em sua cabeça ele tinha outra idade e outro vigor.
..........Engraçado isto. A maneira como encaramos a realidade e burlamos alguns fatos. Até bem pouco tempo atrás eu acreditava que a palavra “próprio” era escrita “própio”. Eu lia a palavra correta, mas por algum motivo na minha cabeça se registrava “própio”, com um "R" só. E era assim que eu escrevia sem ver problema algum. Até o dia em que uma pessoa me corrigiu e não acreditei. Insistia que estava escrevendo correto, mas estava equivocado. Fiquei pasmo com o dicionário nas mãos vendo a palavra escrita daquele jeito. Foram mais de 20 anos acreditando naquele engodo do meu cérbero. Para falar a verdade, até hoje eu suspeito da grafia de “próprio” e de muitas outras palavras. Quem garante que meu cérbero não está me enganando com outras palavras erradas? Por favor, se alguém perceber algo me avise.
..........Tem outro engano do meu cérbero que eu já flagrei faz algum tempo. Sabe aquele desenho ali em cima? Vocês já perceberam que são dois pingüins? Pois é... Por muito tempo achei que fosse um personagem com olhos grandes, um alienígena ou uma formiga triste, sei lá. Só percebi quando vi aquela camiseta engraçadinha onde um destes pássaros está caído de bêbado e segurando uma caneca de cerveja. Podem rir agora. Mas desta vez não foi culpa do cérbero porque ele estava anestesiado.
..........O Sr Garcia se foi e, apesar dele contar muito bem, não gostei muito da história do velho sábio. Só concordo com ele em um ponto. Também quero viver até os noventa (funcionando) e "depois dar a volta na grelha e continuar assando-me do outro lado por noventa anos a mais".
(Gabriel Garcia Marquez - Memórias de minhas putas tristes, 9 ed., 2005, Editora Record)
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16 Abril 2006

BALONISMO

..........Manhã de domingo em Londrina. Estou assistindo tranqüilo o Globo Rural quando escuto um barulho do lado de fora do prédio: ttxxxóóóóó. Abro a cortina e lá está o enorme balão vermelho e azul na frente da minha janela, no quarto andar, a apenas cinco metros de distância. Impressionantemente silencioso não fosse aquela última labareda que o denunciou e fez desviar do prédio vagarosamente.
..........Começa então a correria: Tirar o pijama e colocar bermuda, camiseta e chinelo. A máquina, rápido! Descer de escada que é mais rápido. Chegando à rua percebo vários balões pela cidade que ainda dorme. Vou seguindo alguns deles de bicicleta até chegar ao Lago Igapó. Um deles então resolve tocar na superfície da água e depois sobe novamente. A hora de fazer a foto é esta. Clique!
..........Pronto. Fiz várias fotos e agora os balões já seguiam distantes, impossível de alcançar de bicicleta. Só nesta hora percebo como nós adultos ficamos impressionados com estas coisas. Somos tão sérios no dia a dia que um simples balão colorido nos deixa hipnotizados ao ponto de sairmos correndo para vê-lo passar. Como percebi isto? Depois de tirar a foto olhei para o lado e haviam várias pessoas paradas olhando aqueles balões. Algumas delas saíram de casa correndo como eu e seguiram os infláveis pelas ruas. Uma destas pessoas era uma senhora que estava do meu lado, ainda boquiaberta, olhando este último balão. Seu filhinho já impaciente, querendo continuar a caminhada, puxou-a pela roupa dizendo:
..........- Mamãe, nós já podemos ir agora se você quiser.
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13 Abril 2006

CHUVA E NÃO-CHUVA

..........Aqui em Londrina quando chove é pra valer. Chuva de cidade do interior que cai em toró e molha mesmo. Bom para tomar banho de chuva porque depois pára e sai o sol. Não aquela chuvinha molha-bobo de cidade grande indecisa entre o concreto e o asfalto. Os mais observadores podem até tentar fazer alguma previsão do tempo.
..........Diria até que a chuva tem hora e lugar certo para cair. Duvida da precisão da chuva? Dá uma olhada então neste relato da CK, nossa correspondente do Pequena Londres em Maringá:
..........“Alex! Sábado aconteceu a coisa mais inusitada do mundo. Começou a chover. Olhei pela janela do meu quarto e vi aquela neblina branca e densa e então os pingos de chuva que começaram a ficar grossos rapidamente. Corri para a sala fechar a janela, olhei a paisagem e não estava chovendo! Então corri para a lavanderia, cuja janela fica no mesmo lado da janela do meu quarto e aquela chuva grossa! Corri para a sala novamente e só então começou a cair alguns pingos perdidos que depois viraram chuva brava! Cara do céu, por alguns poucos minutos meu prédio ficou naquela zona de transição entre chuva e não-chuva sacou? Achei muito massa, parecia algo tipo triângulo das bermudas...”
..........Qualquer dia destes sai no noticiário: “E amanhã teremos chuva no período da manhã somente até a Rua Sergipe. Desta rua em diante será parcialmente nublado”.

09 Abril 2006

FUNCIONÁRIO NOVO NA GUARITA


. .Semana passada o segurança da Empresa chegou acompanhado de um outro rapaz, também fardado, e me disse: “Doutor, a partir de amanhã eu vou estar agindo em outro setor da Companhia e o Delei aqui vai ficar no meu lugar”. Depois de um breve silêncio respondi: “Delei? Certo... Então seja bem vindo Delei”.
. .Fiquei com vontade de perguntar porque o nome dele era Delei. Mas assim, logo de cara, ele poderia não gostar. Continuei meu trabalho, mas de tempos em tempos o nome do Delei voltava ao meu cérebro.
. .Claro que sendo um segurança ele é mais ou menos um homem “de lei”, mas seus pais não poderiam prever isto quando escolheram o nome.
. .“Delay” na língua inglesa significa atraso, retardo. Olhei pela janela e lá estava o Delei no pátio explicando onde ficava uma sala para uma senhora. Prestativo, simpático e aparentemente inteligente. Nenhum “delay” em suas respostas. Nada que alguém possa dizer: “Nossa, como ele é devagar”. E nomes derivados do inglês geralmente são Rérison, Uóxinton ou Deividison. Acho que esta também não é a explicação.
. .Então de onde veio este nome? Aquilo já tinha se tornado uma questão de honra e eu também não podia chegar e perguntar na lata, ainda. Foi quando lembrei da moda dos nomes compostos. Você junta metade do nome da mãe e metade do nome do pai, não necessariamente nesta ordem, e faz um nome totalmente original e estranho. Bingo. A mãe do Delei se chamaria Débora e o pai Vanderlei. Simples assim: De-lei.
. .Pensando bem o Delei não é devagar, é sortudo.
. .Dependendo da combinação seu nome poderia ser Van-bora.


P.P. (Pós Post) – Você já imaginou como ficaria seu nome se fosse uma combinação dos nomes de seu pai e sua mãe? Coments!

02 Abril 2006

TITANIC


. .Por um bom tempo aquele prédio em forma de barco e listrado de azul e branco ficou inacabado ali na Avenida JK. Não foi difícil para os londrinenses fazerem a comparação e apelidarem o edifício de Titanic. Parecia que o negócio não ia pra frente e estaria afundando quando, de repente, terminaram a calçada, fizeram uma entradinha, colocaram o logotipo do hotel e o negócio andou.
. .Titânico ele não é. Fica ali quase no fundo do vale do Ribeirão Água Fresca, numa parte baixa, e tendo um paredão de edifícios maiores à sua frente. Também não naufragou (até agora). Parece mais um veleiro passeando tranqüilo à margem da confusão dos escritórios e lojas do centro.
. .A verdade é que com o tempo você se acostuma, vai criando certo afeto e ele até vira um ponto de referência:
. . - Moço, onde é a Faculdade?
. . - Ta vendo ali aquele prédio pontudo?
. . - O Titanic?
. . - Isso. É do lado.
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